sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Diálogo...Base para os temas geradores

Quando lemos uma obra de Paulo Freire imediatamente nos sentimos motivados, pois sentimos o quanto este educador amava o que fazia, na defesa de suas idéias podemos sentir a sua vontade de transformar o mundo.
Paulo Freire nos fala da importância de uma educação baseada no diálogo, onde não existe uma hierarquia de idéias, ou seja, onde as idéias não são vistas como certas ou erradas,melhores ou piores, mas como diferentes e paralelas. Propiciando a todos a percepção de que todos temos conhecimentos e que estes se influenciam e se modificam através das trocas, diálogos.
Nos diz também que o professor necessita ter humildade para poder dialogar com seus alunos, não impor suas idéias como sendo corretas, impondo seus valores acreditando que são melhores, mas compreendendo as diferenças entre cultura e visão de mundo que existem entre todos, de acordo com suas vivências, tempo e espaço em que estão inseridos.
Freire condenava a “educação bancária”, onde o professor deposita o seu conhecimento e impõe a sua cultura, desconsiderando a história de vida de seus alunos, sua visão de mundo e seus conhecimentos.
Defende que o professor deve unir-se aos alunos para buscar com eles o saber e a transformação da realidade, partindo do diálogo, para que a partir desta relação os diálogos tornem-se críticos. Assim, dizia que as aulas deviam acontecer sempre a partir de diálogos, onde os educandos expressassem suas visões, seus conhecimentos, desse modo o educador-educando poderia conhecer a realidade de seus alunos e a partir daí propor os temas a serem discutidos, fazendo com que os alunos refletissem sobre esses temas e se percebessem como sujeitos históricos capazes de, através da força de sua palavra, modificar sua realidade. Os temas geradores, defendidos por Paulo Freire tem esse princípio, de surgir através de diálogos entre educadores e educandos, onde todos possam expressar suas visões e percepções e trocarem conhecimentos, fazendo com que a aprendizagem esteja em permanente recriação
”A educação autêntica, repitamos, não se faz de A para B ou de A
sobre B, mas de A com B, mediatizados pelo mundo. Mundo que
impressiona e desafia a uns e a outros, originando visões ou pontos de
vista sobre ele. Visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de
esperanças ou desesperanças que implicitam temas significativos, à base
dos quais se constituirá o conteúdo programático da educação.” FREIRE, Paulo. A dialogicidade – essência da educação como prática da liberdade. In: _____. Pedagogia do Oprimido. 40ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. p.89-101:

Sujeitos da construção do conhecimento

Não tenho experiência na prática pedagógica com jovens e adultos, conheço um pouco desta realidade por ter uma colega que trabalha com uma turma de EJA, e agora, com as leituras, discussões e reflexões que pude realizar durante este semestre nesta interdisciplina. Penso que para trabalhar com alunos jovens e adultos, ou seja, “não-crianças” é necessário estar muito ciente de toda a história que esse aluno traz, pois tratam-se de pessoas que tem histórias de vida bastante distintas e com todas as demandas que a vida adulta lhes impõe.
Assim, acredito que o professor de EJA necessita ter um perfil apropriado para conduzir esse trabalho, é necessário muito mais que saber “ensinar”, é preciso trabalhar de um modo que o aluno sinta-se parte do processo de aprendizagem, entendendo o seu poder na sociedade em que vive, ou seja resgatar sua auto-estima, para que ele acredite em si mesmo e que muito mais que querer aprender, pode também buscar seus conhecimentos, construí-los. O aluno adulto em especial, pois pode sentir-se inferior aos outros por não ter estudado na época certa e por acreditar que tem menos capacidade que as outras pessoas, é preciso, então que o professor propicie momentos de reflexão sobre a sociedade em que eles vivem, momentos em que possam mostrar as suas leituras de mundo, as suas histórias de vida e também oportunidades de conhecer visões diferentes da sua, para que assim, a partir dessas interações possam construir novas aprendizagens. Encontramos dois tipos de aluno no EJA, os jovens, que muitas vezes desistem por ainda não enxergar os estudos como forma de melhoria de suas condições de vida, ou por terem outros interesses e o aluno adulto que pode procurar o estudo por vários motivos, como a oportunidade de conseguir um emprego melhor, ou manter o seu e também como forma de sentir-se mais independente na sociedade, de ter poder total sobre a sua vida sem depender de outros para poder comunicar com o mundo letrado. Especialmente os alunos adultos encontram muitas dificuldades em ingressar ou continuar seus estudos, por vários motivos, muitos não voltam a estudar por vergonha, por sentirem-se muito velhos para estarem freqüentando a escola, sendo que essa é vista como local destinado a crianças, ou por medo de não conseguirem aprender, sentindo-se inferiores as outras pessoas, afinal a escola tem uma linguagem própria, como nos diz Marta Kohl de Oliveira e nem sempre os alunos estão apropriados dessa linguagem e sentem-se excluídos. Muitos participam ativamente da vida em comunidade, porém sentem-se excluídos por não conseguirem ler. Sabemos também que a grande maioria destes alunos precisa trabalhar durante o dia, para sobreviverem e manterem suas famílias, o que também tende a desmotivá-los a freqüentar a escola, pois além do cansaço físico, geralmente a escola não oferece a motivação necessária para que sintam prazer em estudar e continuar nos estudos.
A escola precisa estar atenta para as realidades desses alunos para que possa trabalhar de uma maneira que motive esses alunos a continuarem estudando e perceberem que é uma grande conquista estarem estudando e uma forma de crescerem enquanto seres humanos e cidadãos.

Um jeito diferente de comunicação

Lendo o conteúdo da unidade 1 e pesquisando na internet sobre comunidades surdas (http://comunidadesurda.blogspot.com ) , percebi que os surdos possuem uma cultura própria, difereciada da cultura dos ouvintes. Tive pouco contato com pessoas surdas, uma vez na escola em que trabalho, uma aluna de uma colega era surda, e lembro de um tio de meu pai que tinha deficiência auditiva, não dominava a libras. Penso que a pessoa surda deve ser respeitada acima de tudo, não ser vista como “coitada” ou impossibilitada de qualquer coisa. É preciso que tenham os direitos enquanto cidadãos garantidos, assim como qualquer outra pessoa. Também é preciso que não sejam vistos como menos inteligentes ou desentendidos, pois como qualquer outra pessoa interagem com a realidade, com o mundo e com as pessoas, diferenciando, apenas na forma como essa comunicação é feita.
Para que a comunicação com uma pessoa surda seja baseada no respeito, é preciso despir-se de preconceitos e ter algumas informações sobre a cultura surda e também conhecer o básico da Língua de sinais, no caso a LIBRAS. Penso ser essencial conhecer um pouco da história dos surdos, da discriminação que já viveram e que infelizmente ainda vivem e entender que são pessoas com as mesmas possibilidades que todos, desde que tenham seus direitos de cidadãos respeitados.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

EJA...aberto para o diálogo.

Paulo Freire foi o grande teórico da educação no Brasil; imprimiu ao conceito de alfabetização a noção libertária da palavra. A palavra como instrumento de poder e libertação das relações que escravizam o ser humano. A apropriação da palavra é tão importante porque permite ao ser humano acessar todo o conhecimento já acumulado pela humanidade e frente a ele, exprimir a sua própria palavra, ou seja, escolher, dentre todo o conhecimento aquilo que pode beneficiar a todos, e não só a uma minoria. Permite compreender que através da linguagem se pode elevar ou destruir a identidade individual ou de grupo. O poder da palavra reflete-se na possibilidade do despertar da consciência enquanto ser coletivo, de alavancar o empoderamento de si mesmo e consequentemente de todos os que buscam o objetivo da igualdade, da fraternidade, dos que lutam por mais justiça em todas as relações dentro da sociedade.Na escola, somente uma pedagogia que não reproduza o autoritarismo pode encontrar campo de acolhimento por parte daqueles que tem o desejo de serem ouvidos. Nesse momento o professor encontra seu papel de orientador, colaborador e igual, enquanto indivíduo que também precisa falar de si. Talvez nesse espaço de troca possa ser proposta uma visualização de novas forma de relações sociais, que sejam aceitas por que dizem respeito ao que foi expresso por todos.

Múltiplas Linguagens

Existem muitas maneiras de falar e escrever, que vão depender da cultura, faixa etária, sexo, assunto e finalidade. Por exemplo, se vamos escrever um bilhete para alguém da família ou um amigo, usaremos uma linguagem mais informal, mas se vamos escrever um trabalho, aí sim usaremos uma linguagem muito mais elaborada, pensada. Temos vários modos de usar a expressão escrita e falada, pois a linguagem não é algo mecânico, estático, ela é constantemente modificada. É importante, mostrar aos alunos essas diferenças, fazer com que percebam os diversos modos em que a fala e a escrita são usados, para isso é necessário utilizar diferentes portadores de escrita e analisar em quais contextos estes foram utilizados, é preciso também valorizar o modo de expressão dos alunos, para que possam sentir-se participantes da construção de novos jeitos de falar e escrever.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Entre os muros da escola

Assistindo ao filme, pude refletir sobre diversas situações que já aconteceram em minha vida, tanto como aluno, quanto professora. Foi possível perceber em todo o filme a postura do professor e de toda a escola, de pensamentos rígidos e imutáveis, ignorando as diferenças culturais existentes entre os alunos. O filme veio muito de encontro com a temática do PEAD no semestre, pois aborda vários conceitos que discutimos nas interdisciplinas. A questão étnico-racial, por exemplo, através do filme, podemos ver como atitudes do professor podem fazer a diferença na construção da visão dos alunos, pois o professor também tem interiorizados preconceitos e se não souber se livrar deles pode reforçar atitudes preconceituosas na sala de aula. E para que os alunos sintam-se igualmente importantes, é preciso que toda forma de preconceito seja extinta e para isso todas as culturas devem ser trabalhadas e valorizadas. Outro ponto que foi bastante discutido é a questão dos princípios morais e da educação para a paz, que também podemos identificar no filme, através das atitudes do professor, sempre confrontando-se com os alunos, ora se queremos educar nossos alunos para a paz, é necessário que tenhamos em nossas aulas atitudes de cooperação e respeito com nossos alunos, é preciso enxergá-los como seres humanos, respeitá-los para que se sintam importantes e possam pensar sobre sua realidade para agir nela. Sabemos que nossos alunos encontram-se em níveis diferentes de desenvolvimento e que cada um tem o seu tempo, é preciso respeitar essas diferenças e planejar de forma que elas sejam respeitadas. Para tanto é preciso que a escola e os professores reflitam sobre sua forma de organizar as aulas, pois para que tenhamos uma educação onde todos sejam respeitados, conceitos arraigados precisam ser revistos, fazendo com que a escola seja um ambiente onde todos são vistos de forma igual, e todos sejam igualmente importantes no processo da aprendizagem. A sala de aula um local onde o professor valorize os alunos, para que estes se sintam importantes, participando cada vez mais ativamente. Penso que com esta atitude de respeito e valorização pelos alunos, estaremos contribuindo para a formação de pessoas que saibam conviver em paz na sociedade, aprendendo a resolver os conflitos através de debates e trocas de idéias.